9.7.09

Quando a vida definitivamente não está boa
é que ela só pode melhorar.
Daqui a pouco o que é tão grande vai virar só um sorriso de lembrança,
o que é tão forte vai ser prova de que nada é tão forte quanto o tempo,

nem o amor.

Mas por enquanto aperta minha mão e diz que vai ficar mais um pouco.
Até eu me acostumar
a também passar.
pena a pétala não voar na ave, perfume de flor em pleno vôo
vem
te espero com uma toalha,
pra quando vc quiser jogar
nesse ringue

5.7.09

Do álbum de fotografias, suas fotos tinham sido destacadas, todas sem exceção. As imagens dela, recortadas com a precisão dos instantâneos em que nós dois aparecíamos juntos, restando apenas as minhas. Fotos em que eu aparecia sozinho, ou as de montanhas e de animais, tinham sido deixadas intactas. Os três álbuns registravam agora um passado rigorosamente revisto. Ali estava eu, sempre só, intercalado de montanhas, rios, cervos e gatos. Sozinho desde o nascimento, sozinho todos os dias até hoje, sozinho até o fim dos meus dias.

(Caçando Carneiros - Haruki Murakami)

4.7.09

Procura-se

Procura-se sujeito para namoro mesmo, com todas as neuroses que acompanham o dito tipo específico de relacionamento - incluindo-se cenas de ciúmes, gritaria que termina depois com os dois na cama loucamente, bilhetes suicidas, crises de euforia e depressão, e lágrimas, muitas lágrimas de ambas as partes - que possua as seguintes características, por favor anote e vá tickando:

- More longe o suficiente para deixar a relação mais neurótica e interessante mas não tão longe que cause falência financeira por gastos de viagem.

- Não seja nem tão jovem, nem tão velho. Dá-se preferência por uma mistura de total inexperiência com perversões estranhas de grande imaginação, mas tem que ser no mínimo maior de idade porque vocês sabem, há leis.

- É necessário, por favor, que tenha um cérebro funcional e em uso. - Tem que ser ciumento.

- Conhecimentos em mitologia, literatura variada, música pop e bizarra, escritores malditos, poetas estranhos, termos em latim e grego, saber diferenciar um Miró de um Kandinsky não é essencial, mas seria muito bem-vindo

- Conheça Shakespeare, e tenha lido pelo menos Hamlet, Othelo e Macbeth, por favor. Inteiros.

- Falar um pouco de francês seria adorável. Não, eu não falo francês tão bem assim, mas eu adoro o sotaque.

- O candidato não precisa ser muito alto nem precisa ser musculoso, mas tem que ter um certo charme. Confira a si mesmo no espelho antes de enviar uma foto. De preferência enviar fotos de si mesmo, não de terceiros. Causa uma certa confusão.

- Tem que ser bonito. O que eu quero dizer com isso? Ah, não dá para explicar, o meu conceito de beleza é no mínimo curioso.

- Pode mentir, mas não exagere. E não reclame quando eu descobrir as mentiras, eu sou boa nisso.

- Eu adoro homens tímidos. Eu não ligo se for do tipo intelectual, retraído e esquisito. Hummmm, eu ligo sim, fica mais interessante.

- Goste de brincar de gato e rato. Tenha consciência que o gato sou eu.

- Senso de humor e ironia são imprescindíveis, sarcasmo será suportado, mas sem exageros.

- Deixe todas as mães, filhos e ex fora disso.

- Tem que ter telefone. Celulares são bem vindos. Telefone fixo é imprescindível. Em caso de interurbano, a conta é sua.

- Precisa ter em mente que eu sou uma mulherzinha insuportável sim, não é charme meu, não. Je suis adoráble, mas je mords, you know.

Alguém se habilita?

1.7.09

se tocar um blues
e eu estiver de azul
como a tarde
me beija o pescoço
me explora o decote
(aos amigos se permitem
certas intimidades)

mas se tocar um tango
dança comigo
beija-me a boca
quem sabe me ama
(que não é de ferro
a amizade)

depois
tomar café com leite
e pão torrado

e seguir sendo amigos
por infinitas outras tardes
na memória
a imagem de você
enxaguado
e passado
no aroma
do meu shampoo

29.6.09

A vez que fiquei mais quebrada
foi quando quebrei o coração,

depois de uma queda feia.

Coração parece de carne, mas não é. Nunca ouviu falar "o coração é uma máquina?" Pois então: o coração é de metal e de vidro, pelo menos o meu, que não tenho coração mole.

(E por dentro sou transparente.)

Quebrei o coração e desde então não faço outra coisa a não ser me recuperar.

Outra coisa: Bia falou que vento é fantasma.
Eu só já pensava.

26.6.09

me irrita gente que consegue ser perfeita até em enterros, que nunca perde o guarda-chuva, gente que tem sempre um guarda-chuva, que nunca esquece as chaves, que tem sempre bateria e créditos no celular, gasolina no carro, cabelos penteados e aparados, gente que tem razão, unhas sempre feitas, sempre depilada, gente que come pouco, que não gosta de gatos, que prende pássaros, que tem aquário, gente compreensiva full time, que nunca atrasa uma conta, gente que reza muito, gente que age pouco, que nunca desfia a meia, que não fala palavrão, que não surta, que arquiva tudo, que anota tudo, gente que nunca perde a hora, que nunca canta, que gosta de tudo muito correto, enfim detesto gente que consegue ser perfeita até em enterros

25.6.09

Com a mão seguro o coração enquanto a outra vai soltando cintos...
Quis me derreter em chuva por esses dias. Sumir é ruim, e a água que cai é desespero. Desencontros são tristes e provocam dúvida. O que sobra são tintas. Não ganhei um poema no papel, só no corpo e no colchão. Queria no papel. Registra. No colchão também. A melhor sacanagem é quando não se sacaneia a própria sacanagem.
Na minha memória - já tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa o lugar mais bonito.
chega desavisado, mexe, remexe o mais profundo, (re)desperta desejos e sonhos, tira a censura de pensar, causa obsessão... dói, vezenquando dói, quasesempre dói... sacode o meu mundo, caixa velha que despenca da prateleira, revira tudo por dentro... dói, pormuitotempo dói...
Por que ninguém me contou
Que durante a história
As pessoas mais solitárias
Foram aquelas que sempre falaram a verdade
Aquelas que fizeram a diferença
Ao confrontar a indiferença
Eu acho que cabe a mim agora
Eu devo correr o risco ou só sorrir?
Eu acredito que, se existe algum tipo de Deus, não está em nenhum de nós. Nem em você ou em mim, mas num pequeno espaço no meio. Se existe algum tipo de mágica nesse mundo, deve estar na tentativa de entender alguém compartilhando alguma coisa. É quase impossível conseguir, mas quem se importa? A resposta está na tentativa.
Antes do Pôr do Sol
E a saudade às vezes chega assim... como uma frente fria...
entra pelas frestas da minha cabeça... a sua presença... feito vento de invernada

24.6.09

Felina


O desenho da sua boca
Cria água em minha boca
Me deixa toda arrepiada
Como um gata vira-lata
Vagabunda e tão tarada
Doida pra encontrar seu gato
E desse felino lamber
Do focinho até o rabo

Cirandando

Pinto (ops), bordo, chuleio, crocheteio e tricoteio, não dirijo e nem ando de bicicleta, tenho talento pra finanças e pro desenho, encanto mais do que canto e a única coisa que quero aprender a tocar é a alma das pessoas. Sobre artes não sei muito, menos ainda da arte de amar. Nunca me interessei por fotografia, mas fiz fotos sensuais de mim mesma, gosto de mexer com o lado pervertido das pessoas, mas às vezes me dá medo. Leio menos do que gostaria e mais do que as pessoas que convivo. O sol em aquário faz com que a tecnologia e o novo guiem minha vida, a queda que tenho pelo belo, o sofisticado e o erótico, libra explica. Compromissos, prazos e obrigações me causam pânico e me travam. Cheiros e gostos me seduzem mais do que o toque, mas um boa "pegada" me derrete. Amo os animais até mesmo aqueles que partiram meu coração e um dia saberei o nome de todas as flores e para que serve cada tipo de erva. Lidar com pessoas me fascina, apesar de ser difícil na maioria das vezes. Gosto quando meus cabelos estão escuros e lisos mas são castanhos claros e encaracolados, fiz as pazes com a balança mas tivemos uma relação de amor e ódio. Tenho um sorriso farto e fácil, boca bonita, lágrimas escassas, um bom humor praticamente inabalável e dificuldade de chorar apesar das dores, mulheres e homens me acham forte, independente e sedutora, mas estou cansada, só queria um colo, um cafuné e o beijo dele de boa noite, todas as noites. Cozinho bem e como melhor ainda, gosto de sabores picantes e agridoce, dispenso os doces. Tenho o sexto sentido aguçadíssimo o que muitas vezes me priva e me protege de ser surpreendida. Se me pedem conselhos (e sempre pedem) eu os dou e o pior que as pessoas seguem. Aprendo com os erros alheios o que me poupa muitas cicatrizes. A maternidade me encanta e me emociona, queria ter mais filhos. Gosto do sol das duas da tarde, de vento na cara, velocidade, cheiro de mato depois da chuva e de gasolina de avião, andar descalça sempre, voar de qualquer maneira, de todas as noites de verão, das quintas-feiras de lua cheia e do mar. O dinheiro nunca dá e aos trancos e barrancos pago as minhas contas, crio minha filha e tomo meus pileques. São Paulo é a minha casa, mas aprendi a viver em outros cantos. A vida? A vida continua o que se há de fazer? Me apaixono todos os dias, quase sempre pela pessoa errada, amar amei pouco e fui amada por muitos, não sou uma pessoa de fácil convívio apesar da primeira impressão. estou aprendendo a demonstrar e a dizer o que sinto, abrir a guarda não é tão ruim assim. Não ligo para presentes e sou movida a elogios. Gentilezas e educação me conquistam instantaneamente. Prefiro lambidas à mordidas, mas não me provoque...
E você?

23.6.09

Voltou, depois de perfurar interiores com broca e chegar ao coração.

No coração descobriu alterar órbitas de planetas, como se acertasse um relógio desandado. Foi depois que mergulhou na água azul e viu os botos, na água verde e viu seu rosto, nas pedras líquidas e viu ouriços.

Voltou e tinha os pés no chão, areia grudada na sola, um pequeno corte de coral
no calcanhar.

E tinha paz.

A cidade a mesma.

Ela a mesma.

Tudo ainda parece.

Isso é mudar.

21.6.09

No livro disse: para encontrar a verdade, perscrutar coração e rins.
A verdade mora no amor e no medo?
O amor é o avesso do medo?

Amormedo.

Hoje eu vi: os que constroem o topo
usam elásticos de segurança,
os do meio,
não.

Talvez o teto dê segurança
Talvez seja uma ilusão de segurança
Talvez eles possam voar
Talvez eu possa

Lá em cima dá uma vertigem.
Lá em cima é quando não tem mais teto.
O teto é o contrário da vertigem?
Mas e quanto ao céu?

E quanto ao meu?

Para alinhar as paredes, listras de tábuas parecem andares de porteiras.
Vontade de sair desembestada.

17.6.09

Você nem existia.

E depois você sumiu, mas parece que foram as circunstâncias.

Seu nome me dá medoeencontro.

Você é bonito.
E me achou
bonita.

Pode ser uma paisagem.
Poderia passar.

Mas não passou.
Achei uma foto nossa, Deus, que linda, nem lembrava mais que tínhamos uma foto assim, juntos, eu sentada no seu colo abraçada no seu pescoço e nós dois olhando para o céu e rindo, felizes, num dia de sol, seria um domingo? Talvez. Colei a foto aqui no monitor pra ficar olhando e sei lá, não sei o que sinto quando olho pra ela, não sei se fico triste, porque aquilo retratado ali não existe mais há tempos ou se fico feliz, porque estou ali com você, pra sempre.

12.6.09

Fragmento (V)

Depois de tantas e tantos ela olhou pra ele e reconheceu os sinais
E de tão cansada, não disse nada
Arrumou suas coisas como se arrumasse sua vida e saiu
Ele também não disse nada
Ele sabia que ela sabia

Fragmento (IV)

Fecho os olhos para não encarar os seus que me fitam
Dói se entregar tanto
Medo, sons, bocas, dedos, línguas, pêlos, suor, dúvida
Ser sua para sempre, ser sua só agora
Te perder em outros braços, me perder na sua fome
Você vem, provoca, deseja, vacila, recua, volta
E sorri, doce, sacana, cruel
E nesse vai-e-vem não sei se suspiro ou grito

Fragmento (III)

Tarde cinza, lembranças daqueles olhos, santos, bandidos, profanos, amor clandestino, estranho, amor, a presença dele sempre comigo e os pensamentos, tenho pensado coisas, a voz além do oceano, saudade ele diz, sorrio, ele sabe, cumplicidade de uma vida toda, duas vidas, não sei, um trecho de Caio e a dor ali à espreita, de tempos em tempos choque, de tempos em tempos faíscas, de tempos em tempos desejo, de tempos em tempos choro, madrugada insone, espera, é, parece que o espero (ainda e sempre) e a certeza que chega através da respiração-que-vem-de-longe-que-vem-abafada-que-vem-ofegante. Bobagens...

Fragmento (II)

Ele veio e eu pude reparar direito, tão castanho, tão alto, que mesmo de salto ainda bato no peito dele.
Quando está frio ele fica com as mãos meio roxas e por qualquer coisa avermelha, seus olhos são azul-outro-mundo e me dizem, às vezes, que não enxergam direito, mas fitam todo movimento que faço, por isso sei que esses olhos gostam de mim.
Ele veio.
E todas as coisas saíram da sua ordem natural, não sei mais as coisas que sabia.
Esqueci o que li nos livros, lugares por onde andei, nem sei se estive em algum lugar antes.
Hoje só sei ficar com ele, com a ponta dos dedos tateando suas formas, suas marcas, tentando decorar cada milímetro da pele, fazendo carinhos suspensos, olhando... olhando... como se guardando um tesouro.

Fragmento

Eu podia contar de como fui parar lá por acaso. Podia dizer do quanto aquele lugar me fez ficar viajando nos desejos das pessoas ali presentes, nos códigos de conduta, na ânsia meio histérica de reduzir a mera diversão o labirinto perigoso que se abre sempre nos nossos encontros.
Talvez eu pudesse falar também de sintonia, de como você soube num primeiro olhar que se eu quisesse algo da noite seriam as minhas mãos, os meus dedos, a minha temperatura que me conduziriam (e de como você concordou num sorriso). Ou contar do inusitado jogo de olhares, gato-e-rato, o atrito dos corpos, a quase-luxúria pública. Todos em volta, a nudez e gemidos imaginados por nós e nós por horas entretidos na sinuca das sondagens.
Poderia mesmo narrar a parte divertida, minhas convicções indo por terra quando de um puxão para o beijo e o seu pau quase saindo da calça foi tudo muito rápido e eu nem pensei em nada. Dizer que daí em diante tudo ficou turvo e passou a existir ali só a minha boca, só o contato da carne pulsante e nada além do cinza dos seus olhos. Olhos boquiabertos.
E eu que estava indo embora, e eu que tanto arquitetei racionalizações me vi abrindo num único movimento o ziper e as possibilidades.
É, eu podia desfiar aqui cada detalhe do desfecho inusitado da estória. Ou ponderar que não fossem as pernas ainda bambas e a marca na curva do pescoço me desnorteando ali na escada, eu mesma custaria a acreditar que foi como foi.
Eu podia, sim. Mas hoje ainda é ... ah, o hoje... o frio congelou as memórias e prefiro deixar aqui só entrelinhas e desejo de ...

11.6.09

Foi há exatamente 20 anos que nos conhecemos, em uma dessas situações ridículas que o tédio e acaso nos colocam à frente. À medida que fomos trocando figurinhas da vida e as risadas nos fizeram engasgar com todos os fermentados, destilados e alcalóides presentes em cada ocasião, percebi estar diante de um titã e de titãs passamos a nos chamar até os dias de hoje. Por essa identificação de igualdade imediata, de maneira subliminar, establecemos um pacto de "não-agressão" pois e fusão de dois titãs poderia trazer efeitos devastadores à humanidade.
À você, meu amigo, que passou desta para melhor, como bem diz, sucumbiu aos enlaces matrimoniais, dedico esse blog e essas histórias, onde em sua maioria compartilhamos olhares e sorrisos de canto de boca a cada corpo de caia.

(O post abaixo foi uma singela homenagem a Marlus Daniel, o Mael, que escrevia divinamente, espero ter feito jus à sua escrita que tanto eu invejo.)

A punheta é a melhor amiga do homem

Durante a evolução da humanidade, algumas figuraças garantiram seu espaço na posteridade. Estes expoentes nos campos da ciência, filosofia e artes desvendaram paradigmas, criaram conceitos, construiram impérios...enfim, mudaram o curso da história da queda de Constantinopla ao esguichador do bidê.

Entretanto, vez por outra os grandes mistérios do universo são revelados pelos comuns, dotados apenas de bom senso e dissernimento em suas observacoes. O brilhantismo do óbvio fez-se notório em uma entrevista concedida por Léo Jaime à Playboy Magazine final da década de 80 revelando uma das máximas mais significativas sobre o comportamento do homo sapiens macho desde as poderações de Charles Darwin sobre a evolução das epécies: E=mc2

O bicho-homem de polegar opositor é por excelência e por código genético um safardana natural, especialmente nas noites de 5as, 6as e Sábados, datas universais das baladas insandecidas, da busca de novas relações interpessoais e das cantadas baratas.

É cientificamente comprovado que um turbilhão de reações químicas causadas pela testosterona, endorfina e imbecilina interferem na capacidade de julgamento e raciocínio perante o sexo oposto, dizimando galanteadores à condição de palhacinhos do cortejo, como por exemplo, na cena bárbara que presenciei em um badalado bar de Natal: Um elemento, forasteiro, de meia idade, identifica uma bela mulher que aprecia vagarosa, quase que sexualmente um Drink colorido, ao melhor estilo "Sex and the City". Sem que haja por parte da citada qualquer reação de reciprocidade a seu pavoneamento , eis que o sujeito aproxima-se afobado com o sorriso nº3 à face e adiciona:"Are you from Tennessee? Because you are the only '10' i see". Atônita e supresa por tamanha cafonice, a beldade não somente engasga com seu drink como também regorgita sobre o blazer Ducal do pobre diabo. Bravo!!!! Bravo!!! Cômico... se não fosse verdade, se não fosse comigo.

Seria então o universo dos encontros regido por tão vil equação? Estariam nós mulheres fadadas a indesejeavel corte de ruidosas ordas de trapalhões? Infelizmente sim...e não. Os detalhes são sutis, porém conclusivos e podem passar desapercebidos aos desatentos. Por gentileza, utilizem o olhar clínico na avaliação dos fatos:

Consideremos 02 espécimens solteiros, ambos bem apessoados, asseados e intelectualmente interessantes, transitando em um mesmo local - digo, desprovido de Axé, Baile Funk Music ou dos malditos adolescentes., para que seja garantida a veracidade do experimento. Enfim, um ambiente propício à uma interação social aceitável. O primeiro, AMOSTRA X, solicita um Dry Maritni e nao perde a oportunidade de trocar uma ou duas palavras com o barman. O segundo, AMOSTRA Y, bebe do gargalo de sua terceira Bud Light, pois nao se sente confortavel com as mãos vazias, que aliás apresentam um gesticular furioso. Ao mesmo tempo este, tal qual o desesperado Marujo Kowalsky operando o sonar do submarino Civil, busca frenéticamente o posicionamento de monstros, concorrentes, e alvos potenciais. Está transpirando e tem um olhar agressivo e duvidoso. O outro, AMOSTRA X, vasculha desinteressadamente o ambiente. Conversa de maneira pausada e interage normalmente com os convivas. Com um certo ar de mistério faz inclusive uso do acaso em seu favorecimento. Ao passar dos minutos, o segundo elemento, AMOSTRA Y, já apresenta uma visão distorcida após alguns shots de Tequila e Jack Daniels e desfere todo o seu arsenal de frases, trejeitos e perdigotos nojentos sobre a única mulher que se mostrou interessada, não gostaria de fazer uso do chauvinismo, imaginem-na como quiserem. Eu não ousaria descreve-la por horror. Ao fim do experimento, nosso espécimen mais sereno, AMOSTRA X, acaba trocando telefones e promessas de algum programa interessante para a próxima semana, vai embora solo. Triste aurora terá o outro cavalheiro, AMOSTRA Y, ao acordar na manha seguinte de ressaca e só após a descarga hormonal perceber que não comeu uma pizza com coca-cola.

Com efeito, em todo o seu brilhantismo, o velho Albert jamais imaginaria que a libidinosidade também obedeceria cegamente aos desdobramentos de E=mc2 (A estupidez é equivalente ao quadrado das masturbações contidas)...ou se preferir de maneira mais simplificada, segundo Léo Jaime: "A punheta é o melhor amiga do Homem". e se alguém ainda tinha qualquer dúvida sobre o procedimento, afirmo que o mesmo faz parte da rotina obrigatória masculina na mesma proporção do consumo do cálice de vinho tinto. Hábito diario, muitas vezes elevado à alguma potência...

Por conseguinte, senhoras, se por acaso a conversa estiver interessante, natural, divertida e finalmente parecer que existe vida inteligente do outro lado do barbeador, esteja certa e segura em desferir: "Tocaste uma hoje hein, garotão?"

Nas Colchas

Generosa e solidária que sou, divulgarei a partir de hoje a vocês, pobres mortais, pensamentos, vitórias e derrotas, batalhas campais de começo, meio e fim de noite, encontros e desencontros da existência terrena, dos relacionamentos, da atividade fornicativa e da sacanagem feminina auto-sustentada. Contarei histórias, verossímeas ou não em relação a seus personagens, abusarei dos clichês, da sua paciência e dos valores imutáveis.
Sê bem-vindos.
Abra uma garrafa de um bom vinho e delicie-se.
O importante da vida acontece entre as colchas!